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Opinião

Representação não se herda. Se conquista a cada mandato.

19 Abr 2026 Malleus Silentii
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Dentro de uma universidade pública, existe uma cultura que precisa ser questionada: a de acreditar piamente em promessas de campanha sem verificar, depois, se viraram ação concreta.

Falar é fácil!
Qualquer candidato promete equiparação salarial, melhores condições de trabalho e uma representação firme diante da gestão. O problema é que poucos voltam atrás para verificar se essas promessas viraram resultado e isso precisa mudar.

As atas, os vídeos e os registros de voto das sessões do Conselho Universitário, do CEPE e do CADE são públicos. Qualquer servidor pode consultar e verificar por conta própria.

O que quero dizer, caro leitor, é que essa régua precisa ser outra. Quando um representante disser que lutou por algo, cabe perguntar: em qual sessão? Qual foi o voto? Qual foi a contrapartida exigida? O que está documentado? Discurso sem registro verificável não é representação. É marketing.

Isso vale também para quem está chegando. Nas próximas eleições, o histórico de quem já ocupou cadeiras nos conselhos está disponível para consulta. E para quem ainda não ocupou, as propostas precisam ser específicas, verificáveis e comprometidas com prazos reais.

A desmobilização que vemos hoje é o resultado natural de anos de promessas não cumpridas. Quando a representação não entrega, a base perde o incentivo de se mobilizar. É um ciclo que só se quebra com renovação e com resultados concretos.

Reconstruir essa relação exige representantes que prestem contas e uma dinâmica onde questionar, comparar e exigir prova sejam práticas normais, não exceções.

Representação não é cargo vitalício. É um mandato que precisa ser renovado pela confiança da base, e confiança se constrói com transparência e resultado, não com anos de cadeira ocupada.

E se os representantes continuam, os mandatos se renovam entre os mesmos nomes e nada muda, a promessa de uma carreira equiparada segue só no papel. Cabe ao menos a pergunta: onde está o problema? E por que, até agora, ninguém o resolveu?